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11/03/2019 09:58
Dia Internacional da Mulher: A luta pela igualdade e uma vida livre de preconceitos

Dra. Cristiane Aparecida Ramos

Aproveitando a comemoração do dia Internacional da Mulher, não haveria momento mais propício para reflexões acerca da importância desse dia e, de quebra, da importância do papel da mulher na sociedade moderna.
O Dia Internacional da Mulher veio a ser comemorado em 8 de março, e são diversas as histórias que justificam a instituição desta data, uma vez que a luta das mulheres por reconhecimento de direitos e igualdade datam desde início do século XIX. A que mais marcou, foi a ocorrida em Nova Iorque, no dia 8 de março de 1857, em uma fábrica de tecidos, ocasião em que as mulheres realizaram uma grande greve, e como represália sofreram brutal violência, sendo trancadas na própria fábrica, que foi incendiada. Cerca de 130 mulheres morreram carbonizadas por lutar e acreditar em seus direitos. Na época os direitos reivindicados eram redução de carga horária para 10 horas (as fábricas exigiam 16 horas), equiparação de salários com os homens e tratamento digno dentro do ambiente de trabalho. Mas foi em 1910, durante uma conferência na Dinamarca, ficou decidido que o 8 de março passaria a ser o "Dia Internacional da Mulher", em homenagem as mulheres que morreram na fábrica em 1857. Mas somente no ano de 1975, através de um decreto, a data foi oficializada pela ONU (Organização das Nações Unidas).
Como podemos observar as desigualdades eram imensas e, imperiosa a luta feminina, sendo merecido este marco anual.
O objetivo da criação desta data não era mera comemoração e sim que neste dia se realizassem eventos e debates sobre o atual papel da mulher na sociedade. Hoje, caminhamos, demos um grande salto, tanto que ocupamos diversos cargos importantes na sociedade, inclusive, de grande escalão, nos três poderes do Estado e também na iniciativa privada.
No Brasil, o dia 24 de fevereiro de 1932 foi um marco na história da mulher brasileira. Nesta data foi instituído o voto feminino (ainda com restrições). As mulheres conquistavam, depois de muitos anos de reivindicações e discussões, o direito de votar e serem eleitas para cargos no executivo e legislativo e que se completou em 1934.
Mas foi só com o advento da Constituição Federal de 1988, que os direitos iguais entre homens e mulheres foram efetivamente reconhecidos. Antes disso, a mulher precisava de autorização do marido para trabalhar fora e ter sua carteira de trabalho assinada. Como não existe o que lutar? Temos muita luta pela frente.
A mulher, na sociedade atual, já tem tomado consciência da sua tarefa no mundo político em que está inserida, mas devido às suas condições de vulnerabilidade advindas do passado, os avanços obtidos ainda estão longe de serem os objetivos de igualdade almejados. A luta é oportuna e séria, prova disso, é o grande número de mulheres vítimas de violência no Brasil, que só aumenta. Isso mostra a necessidade do trabalho com as mulheres para que elas possam se entrosar nos movimentos sociais existentes à sua volta para obter conhecimento, apoio e força necessários à mudança.
Hoje o assunto ainda não é tratado com a seriedade necessária, pelos homens e nem pelas próprias mulheres que não se deram contam de que esta luta é de todas e não de uma meia dúzia em prol de todas. A própria mulher não se conscientizou da importância da sua participação nas frentes sociais e políticas, acredito eu, porque ainda não deu conta de que é extremamente capaz de fazê-lo.
Outro ponto importante para que a mulher possa se inserir na participação social é ter em mente que, como todos somos iguais perante a lei, as obrigações com a família é do casal e não somente da mulher, deixando, aos poucos, de lado a figura do homem provedor e da mulher dona de casa. Pois todas as tarefas devem ser dividas, já que a mulher, hoje, trabalha fora para ajudar no sustento do lar, nada mais justo que o homem divida com ela os ônus como os afazeres do lar e a educação dos filhos.
Não posso deixar de registrar a importância da mulher dona de casa e que o trabalho dentro do lar forma a família, mas isso também deve ser valorizado dentro de um contexto moderno, onde este trabalho seja reconhecido pelo homem como tão importante como qualquer outro que fosse exercido fora de casa e que é graças a ele que a família avança e se desenvolve. A mulher que trabalha em casa deve participar dos movimentos sociais dos diversos setores que a cercam, pois não há qualquer fator que a desmereça por ser dona de casa.
Enfim, é de extrema importância que esse processo se amplie ao longo do tempo, com a mulher mais atuante e mais integrada nos diversos setores da sociedade, sem que com isso se desmereça a importância do papel do homem. Não se trata, pura e simplesmente, de a mulher passar a ocupar o lugar do homem ou este passar a exercer as funções antes restritas à mulher, mas sim de propiciar uma mudança que traga maior equilíbrio, tendo em vista a cooperação e o respeito mútuos.
Espero que um dia em que não mais teremos que comemorar esta data em razão do desaparecimento das desigualdades e preconceitos, no entanto, mesmo com todos os avanços, as mulheres ainda sofrem, em muitos locais, com salários baixos, violência masculina, jornada excessiva de trabalho, desvantagens na carreira profissional e muitas vezes vista como mero objeto sexual de beleza.
Muito foi conquistado, mas muito ainda há para ser modificado nesta história. REFLEXÃO, UNIÃO E LUTA deve ser o nosso lema. Feliz Dia Internacional da Mulher a todas que estão lendo esta mensagem.

Fonte: Cristiane Aparecida Ramos é Promotora de Justiça/MPPR em Palotina


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